A dança? Não é movimento
súbito gesto musical
É concentração, num momento,
da humana graça natural
No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança-não vento nos ramos
seiva, força, perene estar
um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...
Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser
por sobre o mistério das fábulas

(A dança e a alma – Carlos Drummond de Andrade)
 

Todos nós temos sonhos, alguns maiores dos que os outros, alguns tão difíceis. Mas se lutarmos e tivermos esperança alcançamos. E o sonho dela, o sonho de Rosa dançar na Broadway, mas para chegar teria que enfrentar os obstáculos, entre eles um sentimento tão intenso que mudaria sua vida.

Sonhos, as vezes, tão diferentes dos das outras pessoas. As vezes o que a gente sonha em ter, fazer, alguém tem ou faz e nem presta atenção na grandeza disso. A única coisa que importava para Claude Geraldy, dançarino francês renomado, era que a finalista da seleção anual da Broadway fosse uma das alunas da sua academia de dança. E para isso ele passaria por cima de tudo e de todos, mas encontraria um obstáculo grande o suficiente para não conseguir escalar, um sentimento forte que mudaria o seu ser.


 

Você me chamou pra dançar aquele dia
Mas eu nunca sei rodar
Cada vez que eu girava parecia
Que a minha perna sucumbia de agonia
E cada passo que eu dava nessa dança
Ia perdendo a esperança
Você sacou a minha esquizofrenia
E maneirou na condução
Toda vez que eu errava cê dizia
Pra eu me soltar porque você me conduzia
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
E no final achei tranquilo

Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz
Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz

(Só sei dançar com você – Tulipa Ruiz)

 

 

CAPÍTULO 1

 

Mais uma manhã que Rosa acordava cedo, por mais que estivesse com sono precisava chegar cedo ao trabalho para ensaiar. Trabalhava há um ano como secretária na ADG: Academia de Dança Geraldy. Uma das mais conceituadas em São Paulo, principalmente após ser finalista para seleção de dança mais importante do mundo. A seleção anual da Broadway, que renderia não só dez milhões de dólares para academia, como nome e prestigio no mundo todo.

As sete da manhã Rosa ensaiava com seu chefe, também professor de dança, Frazão. Formado pela Royal Academy of dance, de Londres está a frente da ADG contratado pelo dono e então amigo para dirigi-la enquanto ele vende a filial na França.

Atrasada vestiu sua legin e blusão com top, pegou sua mochila e sua bolsa e saiu do quarto correndo. Na cozinha seus pais Giovanni e Amália, casal de italianos, tomavam café.
 

     – Bom dia mãe, bom dia pai. – disse pegando um cacho de uva sobre a mesa e dando um beijo nos pais.

     – Bom dia minha filha. – respondeu o pai.

     – Senta Fina. – era assim que os mais próximos a chamavam. – Vamos tomar café. – disse dona Amália colocando o café na xícara da filha.

      – Não posso mãe, tenho que sair correndo chegar cedo na ADG para ver se acompanho uma aula do professor Frazão. Ele está me dando uma oportunidade supimpa, pois essas aulas só poderiam ser vista pelos alunos.

     – Mai saco vazio não para em pé, querida.

      – Eu como alguma coisa na lanchonete lá, não se preocupe. Beijos, amo vocês. – disse saindo correndo.

     – Essa nossa filha vai acabar ficando maluca.

      – Deixa ela meu velho, é o sonho dela deixa que corra atrás.

O ônibus estava lotado e uma batida de carro deixou o transito lendo. Chegando na ADG, Rosa correu para a sala de ensaio quase tropeçando nos próprios pés.

      – Ao, bom dia seu Frazão, desculpa a hora, mas o trânsito estava horrível. – disse com um sorriso sem graça.
 

     – Não tem problema Rosa, ainda é cedo não chegou ninguém, mas e ai preparada?

     – Sim, sempre, deixa só eu colocar a sapatilha.

     – Para não dar problema, vamos ensaiar agora. Aproveitar que não tem ninguém, certo?

      – Claro, eu até me sinto mais confortável.

      – Comece com um Debussy com movimentos suaves e procure ficar mais tempo na ponta da sapatilha.

Rosa era uma ótima dançarina e Frazão sabia que seria complicado para ela chegar até a Broadway sem estar matriculada em alguma escola e sabia também que ela seria uma forte concorrente.

Seu telefone o desconcentrou, pensou em desligar, mas viu que era Claude então decidiu atender. – Só um minuto, Rosa.

     – Claro. – disse secando o suor com uma toalha.

     – Bom dia mon ami, e ai já esta voltando? – perguntou animadamente.

     – Chego aí na sexta a noite, aqui está um caos. Como andam as coisas por ai?
     – Bem, só estou atolado de aulas para planejar.

     – Eu te pago para isso e pago muito bem.

     – Calma, tá frio, tá seco. Que foi, ta na falta é?

     – Que falta o quê? Vai sapatear na larva do vulcão.

     – Que mau humor hein? Credo! Vou desligar porque tenho mais o que fazer do que ficar te ouvindo relinchando no telefone. – disse desligando na cara do francês. Apesar de trabalhar para Claude, Frazão era seu melhor amigo um quase irmão e tinha liberdade para isso

     – Nossa que carinhoso. – comentou Rosa que ouvia toda conversa.

 

    – Nosso querido chefe superior, tadinho anda cheio de problemas. – brincou. – Escuta Rosa, eu preciso de um favorzinho seu.

      – Que favor doutor?

     – Primeiro que pare de me chamar de doutor, segundo é que vou precisar de uma assistente para o Claude e queria saber se você não tem nínguem para me indicar.
Logo de cara Rosa lembrou da sua amiga Janete que estava louca a procura de emprego. A conheceu quando as duas esperavam o ônibus no ponto e um carro deu um banho de água suja delas. Desde aquela primeira gargalhada elas sempre que se encontram riem de varias situações.

     – Ah, tenho sim. Uma amiga minha que ta precisando de emprego. a Janete. Se quiser posso falar com ela ainda hoje.

     – Ok! Traga ela aqui amanha. Agora preciso ir, pois já vou começar a dar aulas e quero comer algo antes.

     – Ah Claro! Com licença.

     – Ah, sim prepara aquelas apostilas que te pedi e me entrega na sexta, sem falta, por favor, elas são importantes.

     – Sim senhor.

Empolgada com a possibilidade de ter a amiga como colega de trabalho Rosa correu para avisar a amiga.
     – Janete amiga, tenho novidades o doutor Frazão pediu pra você vim aqui amanhã pra te entrevistar para vaga de assistente de um professor que vem chegando aí.
     – Jura amiga? – perguntou empolgada. – Ahhh que máximo, tava precisando mesmo de um emprego.
     – Então venha amanha cedo, certo?
     – Está bem, estarei aí. – disse feliz pela notícia.

O dia passou voando como sempre, Rosa não pensava em outra coisa a não ser em seu teste. A escola já estava fechada, ela então aproveitou como sempre e foi para a sala de ensaio.
      – Oh Rosa, você vai ficar aí novamente? – perguntou Frazão que ia saindo mas notou que ela ensaiava. – Cuidado assim você fica doida.
     – Eu já sou doida pela dança. – sorriu.
     – Eu vou indo, tem certeza que não quer uma carona? Eu posso esperar.

     – Não, eu vou ensaiar mais. De qualquer forma obrigada.

Rosa ensaiava ballet com a música Debussy, sem ninguém ali ela se libertava. Fechava os olhos e imaginava estar em um palco da Broadway. E assim era todo dia, ensaio e mais ensaio em busca do seu sonho. A música inebriava seu corpo, a deixava em outra dimensão, era algo magnifico, sentia a música em suas veias, seus pés como se saissem do chão.

Chegou em casa já tarde da noite, sua mãe reclamou como sempre, não tanto quanto seu pai. Mesmo cansada virou a noite preparando as apostilas que seu chefe, Frazão, pediu. Na manhã seguinte por ter dormir tarde, acordou em cima da hora, nem passou pela mesa e já saiu com as apostilas nas mãos direto pra ADG dando apenas um tchau de longe a seus pais.

Chegando lá viu que não teria mais como ter aula com o Frazão. Ela foi até a sala dele, mas não o encontrou, perguntou para Gurgel ele disse que Frazão estava na sala de baixo dando aula. Rosa deixou sua bolsa em cima da mesa e foi correndo para entregar as apostilas, mas quando ia entrando no elevador se bateu em um homem derrubando tudo inclusive o café que ele tomava manchando todos os papéis.
      – O que isso? Você não olha por onde anda não? Ta precisando de óculos.
      – É o quê? O senhor que anda por ai parecendo um biruta voado e não ve quem ta na sua frente.
      – Eu não ando olhando para baixo mesmo, como ia enxergar a senhora?
      – Ainda por cima derramou café nos papéis.
      – A senhora...
      – Senhorita, por favor.
     – A senhorita se esbarra em mim impedindo minha passagem e ainda derruba meu café, mon dieu. Ah, não posso perder tempo com coisa atoa.
     – Além de biruta é mal educado. – disse pegando os papeis e o encarando astuta.
      – Mal educado? Faça-me o favor. Com licença. – Disse Claude indo em direção a sala.
      – Mais que homem mesquinho e mal educado. – pensou.

 

     – Que mulherzinha petulante, olha só ainda respingou café no meu paletó. Mulherzinha chata, cafona, deve ser assistente do Frazão, ele que tem mal gosto assim. – murmurou Claude entrando na sala da diretoria.

Enquanto isso Rosa chegava para falar com Frazão toda irritada, nervosa pela ousadia do, até então, desconhecido para ela.  – Olhe Dr.Frazão, eu vim aqui perguntar sobre a Janete, ela ja esteve aqui?

     – Já sim, veio logo cedo, aliás boa indicação hein Rosa? Sua amiga é... É... Uma maravilha de assistente. Falou com um sorriso sínico.

     – Que bom! Então ela esta contratada, vai ser assistente do chefe?
     – Assim Rosa, eu andei pensando, acho que ela vai ser minha assistente e você a do Claude.
     – Mas porque? Fiz algo errado.
     – Não,não! Imagina, é só que acho que eu e ela vamos nos dar muito bem, assim como você e o Claude.
     – Está certo, então. – respirou fundo. –Você não sabe o que me aconteceu, eu ja estava com as apostilas prontas, vindo entregar ao senhor, mas ai quando ia entrando no elevador um homem mal educado se esbarrou em mim. Parecia um cego é cego um biruta que não olha por onde anda e derramou café nos papeis ainda por cima me chamou de baixinha. Todo arrogante se achando o dono do mundo.
     – Valha-me Deus, como era esse homem?
     – Ah, ele era alto, usava um paletó rosa chá cafona, uma bolsinha de lado meio gay sabe, era bonito também.
     – Meu Deus! Com licença Rosa. – Disse saindo correndo para ir até a sala, pois pela descrinção só podia ser uma pessoa.

 

Na diretoria Claude estava mexendo em alguns troféus na estante quando Frazão entrou quase derrubando a porta.
     – Ah, então é você mesmo.

     – Não, é a chapeuzinho vermelho.

    – Chegou antes do previsto, como você está?
    – Eu to muito bem, não ta vendo o paletó sujo de café? Adoro derramar café em mim. – ironizou. – E isso tudo graças a uma... Uma... Nem sei que adjetivo usar, só sei que ela esbarrou em mim derramando café e ainda por cima me chamou de mal educado.

     – Nossa, meu querido, esse mau humor todo é por causa da Rosa?
     – Que Rosa? Aquilo se chama Rosa? Mas que nome mais cafona, assim como ela.
     – Cafona é esse seu paletó Rosa chá! Aí oh acrescentou um cafezinho nesse seu chá.
     – Frazão vai dançar pelado na praça, vai.
     – Posso saber por que o amigo chegou mais cedo?
     – Porque eu quis! Agora vamos parar de perder tempo e vamos trabalhar, e ai já arrumou uma assistente para mim?
     – Claro, vou chama-la. – disse saindo com um sorriso de quem já sabia o que ia acontecer.

Não demorou muito ele já estava de volta puxando Rosa que não entendia nada. – Vem dona Rosa, entra. Pronto, Claude essa é a Rosa sua assistente, Rosa este é Claude seu patrão.

Rosa e Claude: Como é que é?

 

 

CAPÍTULO 2

 

Claude e Rosa se encararam com fúria e depois encaram Frazão sem acreditar na situação.

     – Essa mulherzinha irritante é minha assistente? Frazão você só pode estar de sacanagem com minha cara. – debochou olhando Rosa.
      – Esse biruta ai é o meu patrão? – ironizou olhando Claude dos pés a cabeça.
      – Olhe você dois se acalmem, isso aqui é um ambiente de trabalho vamos manter a postura? Mas sim, essa é sua assistente e esse é seu patrão.
     – Frazão, eu prefiro continuar sendo sua assistente a com esse brutamonte aí. – disse cruzando os braços e virando a cabeça de lado.
     – Brutamonte? Olhe como você fala comigo. – disse partindo para cima de secretária.
     – Chega! – gritou. – O quê que é isso gente? Vocês dois parecem duas crianças. É bom vocês passarem a conviver bem.
      – Eu prefiro continuar trabalhando para o senhor já disse, porque esse aí não sei não.
     – Quer saber? Deixa Frazão, eu aceito trabalhar com essa essa senhorita. – Disse sinicamente.
      – Ótimo! Agora você, dona Rosa, controle-se. Eu já vou indo, tenho coreografias para montar, divirtam-se.

Rosa e Claude se encararam por alguns segundos calados. – Bem o senhor deseja alguma coisa? Pois preciso refazer umas apostilas. – disse Rosa quebrando o silêncio.
     – Adoraria que a dona Rosa né? Adoraria que a dona Rosa pegasse uma das camisas do figurino e levasse essa daqui pra lavar. – disse abrindo os botões e tirando a camisa.

     – C–Claro. – gaguejou. – vou pedir pra Silvia ir buscar lá embaixo. C-Com licença. – disse nervosa ao ver o novo patrão sem camisa e saiu.

O nevorsismo de Rosa não passou despercebido por Claude que sorriu debochadamente e pensou:

"– Estupiciozinho chata! E ainda ficou me olhando com cara de anta. Isso está começando a ser divertido”

Rosa, ainda nervosa, do lado de fora se abanava com uma prancheta.

      – Até que o biruta mal humorado é bonitinho. – sorriu. – Não, não Rosa que é isso achar aquele turrao bonito? Controle-se. – murmurou para si mesma.

Um tempo depois Nara, noiva de Claude que soube logo que ele havia chegado, correu para a diretoria para vê-lo.

     – Mon amour você chegou. – gritou eufórica, o abraçando quase  derrubando-o.
     – Calma cherry, obvio que cheguei.
     – Nossa parece que nem sentiu minha falta. – disse dengosa. – Aí porque está sem camisa hein? Está tão gostoso. – Disse beijando o pescoço dele.

Rosa então sem saber na presença de Nara na sala entrou pare entregar a camisa ao chefe.
     – Com licença doutor Claude aqui está sua... Aí meu deus desculpa. – disse sem graça ao ver os casal aos beijos.
     – Dieu! Entre Rosa, não precisa pedir desculpas, não estava acontecendo nada. – Claude se afastou de Nara no mesmo instante, para ser sincero a chegada de Rosa no momento havia sido uma salvação. Nara sempre o sufocára.
     – O que aconteceu com a criadagem, não sabe mais bater na porta querida?
     – Primeiro que não sou uma criada, segundo que pessoas que ficam se agarrando por ai sem pudor algum num ambiente de trabalho não deviam falar sobre bons modos. – cuspiu astuta.
     – Como é que é querida? Escute aqui quem é você?
     – Sou assistente do doutor Claude.
    – Claude, como você admite contratar pessoas assim?
    – Pessoas assim como? – Disse irritada.
    – Uma tiririca cafoninha como você e ainda mais atrevida.
     – Escute aqui dona, você me respeite se não quiser perder esses seus cabelos de sabugo de milho.
     – Experimenta pra ver sua cafoninha.

Rosa era o tipo de mulher que não ouvia calada, fazia jus ao que dizem sobre toda baixinha ser brava. Partiu para cima de Nara a agarrando pelos cabelos puxandoa empurrando-a para a mesa. Claude gritou para pararem e se meteu no meio das duas separando-as.

      – Chega! O que é isso? Duas mulheres como vocês se engafinhando aqui. Se quiserem se matar vão pra rua no meu escritorio não. Controlem-se e
Nara, por favor, queira ir embora, você sabe que não podemos ter escândalos.
     – Você está me mandando embora e essa confoninha não?
     – Nara, por favor, ela é minha assistente.
     – Esta bem só porque sou educada. – Disse saindo da sala.
     – Vai de reto! – murmurou Rosa.
     – E você hã dona Rosa, que modos são esses?
     – Me desculpa, mas ela me provocou e não sou mulher de engolir sapos, já basta ter que engolir o senhor.
     – A senhora me respeite, sou seu patron.
     – Senhora não! Senhorita por favor. Bem aqui está sua camisa.

     – O quê? Está de sacanagem com a minha cara? Uma camisa verde cana?

       – Achei que o senhor iria gostar, porque não faz diferença entre ela e esse palitó rosa chá. E quer saber o senhor vista se quiser se não fica ai sem camisa e com licença. – Disse saindo da sala com o nariz em pé.
     – Mon dieu estrupício! Controle-se Claude, controle-se. – Disse vestindo a camisa.

O RESTO DO DIA passou rápido e Claude após o trabalho foi direto para uma boate com Frazão. Sempre foi um homem que gostava de movimentação, festa. Final de semana em Paris não parava em casa.

     – Mon ami não vejo motivos pra você está com essa raiva toda, pois a Rosa sempre foi um anjo comigo. – disse Frazão tomando mais um gole do uísque.
     – Anjo? Aquilo ta mais pra capeta, toda atrevidinha. Além de que é cafona capaz de manchar a imagem da academia.
     – Menos né Frances? ARosa não é feia, só não sabe se arrumar direito, mas ali tem um corpo que Deus benza.
     – O que é isso Frazão? Anda vendo graça em enterro? Bonita eu em!Vou por uma foto dela no meu quarto pra ver se espanta os mosquitos.
     – Você fala isso por que ta com raiva dela.
     – Vai achando que isso, não reclama quando me vir estrangulando aquela mulherzinha. Alías, pelo o que eu entendi ela era sua assistente hã.
     – Falou certo mon ami, era minha assistente, mas ela é muito competente achei que se sairia melhor com você. Fora que me indicou uma amiga dela que, vou te contar, linda demais. Então já que o Frances vai casar e o papaizinho aqui que ta precisando se divertir um pouco preferi fazer a troca.
     – Casar? – espirrou. – Casar não, só estou noivo da Nara porque sei lá, ela é o tipo de mulher certa pra mim, e na cama mon dieu.
     – Não esqueça que você tem um prazo para ficar no Brasil, e que os americanos que querem uma dançarina para concorrer a vaga da Broadway. Estão vindo fazer uma visitinha e a notícia que você vai casar já deve ter chegado por lá.
     – Nem me fale hã, to vendo o terremoto de problemas que vai chegar com eles, o pior é que Nara ainda é casada com o ex.
     – Então torce frances para que ela separe rapidinho.
     – Casamento, eu vou é cuidar da minha vida, e alias olha só ali quem vai cuidar um pouquinho de mim. – disse mostrando uma loira que sorria para ele enquanto dançava.
     – Vai lá frances aproveita a brasileirinha gata que eu vou atras daquela amiga dela.

 

Claude começou a dançar e logo estava beijando a garota, só que mal ele sabia que uma dançarina, também amiga de Nara, estava no mesma balada observava Claude e tirava fotos dele com a garota.

Erci nunca perdia uma oportunidade de colocar Nara para baixo e logo enviou as fotos para o jornal.  

CLAUDE SAIU com a garota e passou a noite com ela. Ele sempre foi esse mulherengo que só se preocupava em se divertir. Desde a morte dos seus pais nunca parava em casa, gastava dinheiro e se divertia com as mulheres. No dia seguinte ele acordou animado e relaxado, o mau humor que a secretária tinha lhe causado havia passado.
    – Bom dia Dádi! – disse sentando a mesa para tomar café, estava faminto.
     – Bom dia doutor, mas acho que seu dia não vai ser muito bom não. – respondeu a empregada.
     – Posso saber o porquê?
     – Você não toma jeito mesmo, olha só sua foto no jornal se agarrando com uma mulher. – disse entregando o jornal ao patrão.
     – Mon dieu me deixa ver isso! Deus quem tirou essa foto? A Nara vai me matar.
     – Olhe como eu sei que o senhor não vai tomar café tome essa maça ai e vá logo resolver isso.
     – Só você mesmo Dádi! Eu te amo. – disse dando um beijo na empregada que era como uma mãe para ele.

Claude saiu logo para ADG para evitar o escândalo, chegando lá à academia ainda estava deserta. Ele entrou e foi pelo correrdor das salas apresado, mas ouviu de longe umas risadas e foi olhar o que era.

Rosa chegou cedo como sempre e ria dos passos loucos que Fazão a tentava ensinar.
     – Mais o que é que está acontencendo aqui? – gritou Claude furioso assustando o dois.

     – Bom dia pra você também, mon ami.
     – Bem, obrigada doutor Frazão, eu já vou indo com licença. – disse pegando suas coisas, nervosa, e indo em direção a porta.
     – A senhorita não vai a lugar algum até me explicarem. – Disse segurando o braço de Rosa.
     – O senhor me solte porque eu tenho trabalho a fazer.
     – Eu também tenho que trabalhar, mas quero uma explicação.
     – Só que eu tenho que imprimir umas apostilas que fiz a noite, porque não viro a noite em baladas por ai me agarrando com outra pra todo mundo ver.
    – Mon dieu, você já leu o jornal.
     – Não só li como retirei todos da empresa e pus em sua gaveta para evitar murmurinhos aqui dentro. Agora me dá licença. – disse se soltando da mão dele e saindo.
      – Frazão agora que estamos só nos dois posso saber o que estava acontecendo aqui?
     – Ueh estava dando aulas para ela, você não viu?

     – Isso eu vi, mas porque estava dando aula pra ela? Que eu saiba ela não é aluna, e nem esta no horario de aula.
     – A Rosa não é aluna mas é uma dançarina, e eu estou ajudando ela a ensaiar pois ela vai fazer o teste pra Broadway.
     Ao ouvir aquilo Claude caiu na gargalhada sem acreditar. – Como é que é? Eu ouvi bem o que você disse?
     – Além de cego agora é surdo?
      – Mon dieu, aquele estrupício vai fazer o teste da Broadway! Tadinha e você ainda perde seu tempo com aquilo. – debochou.

     – É o meu tempo, a minha vida desperdiço ou não com quem eu quiser.
     – E a minha academia, não quero mais saber dessas aulas ok?
     – Agora você foi longe demais não acha? A Rosa é uma ótima dançarina, e vou continuar dando aulas a ela queira você sim ou não, pois também sou sócio dessa academia e seu amigo.
     – Quer saber? Eu tenho problema demais pra me preocupar do que com isso, vou trabalhar.


ASSIM QUE Nara chegou a academia foi logo para a sala do noivo. –

     – Bom dia mon amour.
     – Cherry, bom dia está tudo bem contigo?
      – E porque não estaria? Estou me preparando cada vez mais para representar a ADG e ainda vou me casar logo, logo com você.
      – Casar claro! – disse desanimado. – Mas perguntei por perguntar só.
      – Ta bom está tudo bem então.
     – Cherry eu vou ali perguntar algo ao Frazão já volto.
     – Está bem, eu te espero sentadinha aqui.

 

Assim que Claude saiu Nara aproveitou para vasculhar as coisas de Claude para ver se encontrava algum vídeo com uma boa coreografia, ou alguma apostila. Mexeu na estante e foi mexendo em todas as gavetas, mas antes que abrisse a dos jornais Rosa entrou na sala..
     – Dona Nara não!
     – Ai que susto sua cafoninha! O que foi hein? Só estava ajeitando a gaveta.
     – Não mexe ai o doutor Claude não vai gostar.

     – O que eu não vou gostar? – perguntou Claude entrando.
     – Nada Claude, essa mocinha ai achou que eu estava bisbilhotando suas coisas.
    – O que é isso dona Rosa? A Nara pode mexer no que ela quiser, aliás, não tem nada aí mesmo cherry pode abrir.
     – Ta vendo cafoninha. – Disse abrindo a gaveta.
     – Não doutor Claude os jor... – murmurou Rosa, mas era tarde demais, pois Nara ja arregalava os olhos em furia vendo a foto de Claude no jornal. – Eu tentei avisar doutor Claude.

     – Claude Antoine Geraldy posso saber o que siginifica isso?
     – Cherry, não é nada disso que você esta pensando.
     – Claro que não é o que ela ta pensando é o que ela ta vendo. – disse Rosa.
     – Dona Rosa se não pode ajudar também não atrapalha.
     – Eu não acredito que você me traiu com essa piriguete. – gritou Nara jogando os jornais em cima do noivo.
     – Eu não trai, tava na balada com o Frazão e essa louca veio me agarrar.
     – Foi isso mesmo Dona Nara, eu também estava lá vi quando a mulher bebinha da silva beijou o Claude, mas ele a empurrou para longe e saiu.
     – Como assim, essa cafoninha também estava na balada?
     – Fui entregar uns papeis ao Claude que ele tinha que assinar urgente e vi por acaso.
     – Hmm essa historia ta mal contada.
     – Foi isso cherry! Você acha que eu iria te trair com uma mulherzinha daquelas? Acredita em mim. – disse manhoso.
     – Está bem Claude! Mas se eu descobrir que foi mentira. Ah, Claude você me paga. – Disse saindo da sala irritada.
    – Mon Dieu. – Suspirou Claude esfregando as mãos no rosto e despenteando o cabelo.

     – Essa foi por pouco, vê se aprende agora. – resmungou Rosa.
     – Obrigado Rosa, se não fosse você.
     – Estou aqui pra ser sua assistente, então fiz o que achei que era certo. Bem eu já vou indo.
    – Eu também já vou, tenho um almoço com um pessoal importante. – disse saindo também.
     – Espera!
     – Que foi?
     – Você não vai sair assim desarrumado, deixa eu ajeitar esse cabelo. –

A aproximação de Rosa e suas mãos no cabelo de Claude o deixaram sem jeito. Um ar diferente pintou entre olhares dos dois. Até que Claude encabulado se afastou. – Obrigado mas deixa que arrumo se não você é capaz de bagunçar ainda mais.

 

O DIA CORREU muito bem, e havia chegado mais um fim de expediente. Claude tinha alguns documentos para assinar e alguns relatórios sobre pagamentos para ler, então resolveu que ficaria mais um pouco na academia, até porque se fosse para uma boate novamente as fofocas iam se multiplicar.
      – Você não vai pra casa mon ami?
      – Não, tenho que resolver umas coisas aqui do projeto
     – Ta bem, só não fica aí até tarde!
     – Não, não, só vou terminar aqui e já vou indo.


Claude ficou ali resolvendo os problemas eu seu computador e bebendo café. Abriu uma gaveta a procura de alguns papeis e lembrou que havia deixado na sala da coordenação. Um toque suave de piano ecoou vindo da salas de ensaio, logo ele reconheceu a música.
     –  Debussy ...Claire de lune. – Disse baixinho para si seguindo o som.

Uma porta de uma das salas de ensaio estava entreaberta, intrigado ele se aproximou e viu Rosa ensaiando ballet. No primeiro momento teve vontade de brigar por ela estar usando a sala sem a permissão, mas algo mexeu com ele. Ela dançava perfeitamente, cabelo preso vestida em uma roupa simples de ensaio, dançava nas pontas dos pés, mas parecia flutuar. Claude nunca tinha visto uma bailarina acertar os passos do jeito que ela acertava. Então ele ficou ali apenas observando escondido. Percorrendo os olhos desde a ponta da sapatilha até a cabeça de Rosa ele notou a bela silhueta da secretária.

Assim que a música terminou Claude aplaudiu fazendo-a quase cair no chão de susto e medo.
      – Doutor Claude! N–Não é isso que o senhor está pensando.

     – Uau!
     –Eu só... Eu... – Rosa estava tão nervosa que começou a recolher suas coisas e derruba-las sem saber o que dizer.

Claude então saindo do encanto causado pelos passos de Rosa mostrou sua irritação.
    – Não é o que eu to pensando é o que to vendo. O quê que a senhorita pensa que esta fazendo? Como entra na sala, liga o som e começa a dançar sem permissão alguma?
     – Mas eu... Eu sempre fico aqui depois do expediente não pensei que haveria problema, pois não tem mais ninguém.
     – Não tinha mais ninguém, mas agora eu estou aqui. E então?
     – Doutor, desculpa eu...
     – Eu nada, Rosa! Queira pegar suas coisas se vestir e ir embora não quero ouvir suas explicações.
     – Claro doutor todo poderoso. – disse reunindo suas coisas, irritada pela arrogância dele. – Pega essa sua sala e soca bem no meio do seu... Aí frances enjoado
     – Eu ouvi hein? – Gritou Claude.

 

Assim que ela saiu ele foi até o som e o tirou da tomada. – Que mulherzinha petulante, ainda fica ensaiando aqui até tarde sem autorização.


Rosa se trocou rapidamente com raiva pegou sua bolsa e foi para casa. Pensava no que seria do seu sonho agora que não ia poder mais ensaiar. Estava triste e irritada, deseja que o chefe nunca tivesse aparecido ali. Aquele homem só surgiu para complicar a sua vida.

Claude não teve mais cabeça para terminar o trabalho, reuniu alguns papéis, pegou o carro de saiu. Andando pelas ruas avistou Rosa que caminhava de braços cruzados indo para o ponto de ônibus.
     – Oh Rosa, quer uma carona? – gritou buzinando.
     – Para com essa buzina se não vão pensar que sou outra coisa. – falou sem parar de caminhar. – E eu gosto de ir a pé.
     – Mas ta tarde, entra ai.
     – Eu não vou entrar no seu carro.
    – Vamos Rosa, larga de ser teimosa.
     – O senhor pegue esse seu carrinho e vá pra o raio que o parta.
     – Quer saber? Não quer carona? Então vá sozinha! Fui! – disse acelerando o carro. Ele saiu dirigindo sem nem olhar para trás, mas assim que parou no sinal viu dois homens suspeitos passando em direção a Rosa. Claude olhou desconfiado e viu que um deles a empurrou contra parede, ele não perdeu tempo desceu do carro e foi ajuda-la.

      – Larguem ela seus idiotas!
      – Ih olha só a florzinha querendo bancar o herói. Quer morrer maluco? – disse um dos ladrões.
     – Deve ser o namoradinho dele, olha só o que eu faço com seu amor. – Disse puxando o cabelo de Rosa.
     – Ai, pelo amor de Deus leve tudo, mas não me machuque,
     – Solta ela.

Os dois largaram Rosa e encaram Claude caminhando para cima dele, assim que percebeu que nenhum deles estava armado partiu para cima de um. Os anos de muiai tai o serviram muito bem. Um dos ladrões o segurou e o outro o antigiu, mas Claude conseguiu derruba-lose colocar eles para correr.

Ainda atordoado correu para Rosa que estava encostada na parede chorando.

     – Você está bem?
     – Eu to bem sim.Obrigada, se não fosse você que não sei o teria sido de mim. – disse o abraçando.
      – Não Rosa, eu que não devia ter te deixado sozinha. Agora não pensa mais nisso, já passou. – Disse dando um beijo na testa dela.
     – Você é que não ta bem, olha cortou a sobrancelha. –Disse tocando o ferimento e ao mesmo tempo aproximando o seu rosto sem perceber.

 

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Seus olhos encontraram com dele que mergulhavam nos dela intensamente. Rosa sentiu o coração acelerar e só então notou o quanto estava próxima dele, mas não disse nada. Claude sentiu uma atração tão grande por ela que a segurou pela nuca e uniu seus lábios beijando-a intensamente. Rosa tentou sair daquela situação, mas seu corpo não a obedecia. Claude deslizou a mão pela curva da cintura dela e a puxou para perto grudando seu corpo no dela tirando-a do chão. Sem resistir Rosa se entregou ao beijo correspondendo-o na mesma medida.

CLAUDE FOI PARANDO o beijo lentamente e a encarou ainda atordoado, aquele beijo o prendeu de uma forma como nunca prendera antes.
     – I–Isso não devia ter acontecido. – disse se afastando.
     – Rosa me desculpe, eu não.
    – Me deixa. – Disse saindo correndo nervosa.
     – Rosa... Rosa espera. – ele segurou o braço de Rosa que sentiu um arrepio por todo o corpo.
     – Por favor, me deixa ir.
     – Me deixa te levar em casa.
     – É melhor não, eu vou só não se preocupe.
    – Rosa não vou te deixar sozinha depois do que aconteceu. Aqueles caras podem estar por aí ainda. Eu devia ter chamado a policia. Vem, entra no carro comigo?
    – Claude...

    – Por favor!

    – Tudo bem, eu vou.